A Lua de Sangue na Sagrada Escritura e nas Aparições marianas

A “Lua de Sangue” na Sagrada Escritura e nas Aparições marianas, como sinal que precede a Segunda Vinda de Nosso Senhor

O Tetra Eclipse Lunar Total de 2014-2015

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Tetra Bíblico 2014-2015: “O Sinal Perfeito de Deus” (formato das datas mês/dia/ano) Ver último apartado deste artigo: “A Lua de Sangue”

Índice:

  1. O Projecto de Deus.
  2. O “Fim do Tempo” e a consumação do Projecto Divino.
  3. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas (Lc 21,25) antes de que chegue o Dia de Yahvé grande e terrível (Joel 3,4).
  1. Sentido teológico dos astros como reveladores do Projecto Divino do Criador.
  1. Relação do Povo de Israel com a Segunda Vinda de Cristo.
  2. A Lua de Sangue.

O projecto de Deus

No primeiro relato da Criação do livro do Génesis 1,1-2,4a, a acção criadora de Deus é nos apresentada num “crescendo” que culminará com a criação do homem à Sua imagem e semelhança.

Efectivamente, toda a criação está criada por Deus em função do homem. Assim o Catecismo da Igreja Católica, nº 358, que cita a São Pedro Crisólogo, Padre e Doutor da Igreja:

«Qual é, pois, o ser que vai chegar à existência rodeado de tal consideração? É o homem, grande e admirável figura vivente, mais precioso aos olhos de Deus que toda a criação; é o homem, para quem existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação, e a cuja salvação Deus deu tanta importância, que, por ele, nem ao seu próprio Filho poupou. Porque Deus não desiste de tudo realizar, para fazer subir o homem até Si e fazê-lo sentar à sua direita»[1].

Nesta mesma linha Joseph Ratzinger afirma que «o cosmos não foi [primariamente] criado para que houvesse uma massa de astros e tantas outras coisas mais, mas para que houvesse um espaço para a “aliança”, para o “sim” do amor entre Deus e o homem que Lhe responde»[2].

Ora, o homem —sabemo-lo pela Sagrada Escritura— foi infiel a esta “aliança da criação”, a qual é o fundamento de todos os desígnios salvíficos de Deus. A desobediência de Adão e Eva ao mandato divino (cf. Gn 3) atraiçoa o amor de Deus pelo homem, a quem criou à Sua imagem, e tem como consequência a perda da comunhão do homem com Deus. De aqui se segue naturalmente a perda da comunhão do homem com os seus semelhantes, e, por fim, a perda da comunhão com a criação da qual tinha sido erigido “senhor” por Deus mesmo (cf. Gn 1,28-30), a perda da comunhão do homem com esse cosmos que tinha sido criado como lugar da Aliança de Deus com os homens (cf. Gn 17).

Mas, apesar da infidelidade do homem, Deus não o abandonou. Como disse antes São Pedro Crisólogo: «Deus deu tanta importância salvação do homem, que, por ele, nem ao seu próprio Filho poupou. Porque Deus não desiste de tudo realizar, para fazer subir o homem até Si e fazê-lo sentar à sua direita»[3].

A reconciliação da humanidade com Deus, por meio do Seu Filho Eterno feito homem, Jesus Cristo, nosso Senhor, vem admiravelmente expressada por São Paulo, quando escreve aos Romanos:

«Deus demonstra o seu amor para connosco pelo facto de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores. […] Nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem desde agora recebemos a reconciliação. Com efeito, se pelo delito de um só homem [Adão] reinou a morte, com quanta mais razão os que recebem em abundância a graça e o dom da justiça reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo. Por conseguinte, assim como pelo delito de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só, resultou para todos os homens justificação que traz a vida. De modo que, como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só todos se tornarão justos.» (Rm 5, 8.11.17-20)

A reconciliação da humanidade com Deus, por meio de Jesus Cristo, trará como consequência todas as outras reconciliações: a reconciliação dos homens entre si, e do homem com a criação. Assim, São Paulo fala também da “redenção” da criação:

«Pois a criação espera ansiosa e deseja vivamente a revelação da nossa condição de filhos de Deus. De facto, a criação foi submetida à caducidade —não pelo seu querer, mas por vontade daquele que a submeteu— na esperança de ela também ser liberada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até ao presente.» (Rm 8,19-22).

Vemos, pois, como a obra redentora de nosso Senhor Jesus Cristo terá a sua consumação também na inteira criação que o Pai criou para o Seu Filho Eterno (cf. Col 1,15-17), à imagem do Qual nós fomos criados (cf. Rom 5,14). Por Cristo somos filhos adoptivos de Deus (cf. Ef 1,4-5), e por isso herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (cf. Rom 8,17) de toda a criação (cf. 1Cor 3,22-23).

Se cumprirão então as profecias feitas por Deus por meio do profeta Isaías:

«Em verdade, eis que criarei novos céus e uma nova terra; e todos os eventos passados não serão mais lembrados. Jamais virão à mente! Alegrai-vos, portanto, e regozijai-vos para todo o sempre com aquilo que estou prestes a criar: eis que criarei uma nova Jerusalém, e esta somente para júbilo, e seu povo para a felicidade.» (Is 65,17-18)

A Divina Promessa de um céu novo e uma nova terra vem recordada no último livro da Escritura, o qual nos revela (em geral todo o Novo Testamento) que a Promessa será realizada em Cristo a quando da sua Última Vinda. Assim relata São João esta visão no livro de Apocalipse:

«Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra haviam passado; e o mar já não mais existia. Vi também a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, de junto de Deus, adornada como uma linda noiva para o seu esposo amado. E ouvi uma voz potente que procedia do trono e declarava: “Esta é a Morada de Deus, que compartirá com os homens, com os quais Ele habitará. Eles serão o seu povo e o próprio Deus viverá com eles, e será o seu Deus. Ele lhes enxugará dos olhos toda a lágrima; não haverá mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor, porquanto a antiga ordem está encerrada!” E Aquele que está assentado no trono afirmou: “Eis que faço novas todas as coisas!” E acrescentou: “Escreve isto, pois estas palavras são verdadeiras e absolutamente dignas de confiança”. E declarou-me ainda: “Tudo está realizado! Eu Sou o Alfa e o Ómega, o Princípio e o Fim. A todos quantos tiverem sede lhes darei de beber graciosamente da fonte da Água da Vida. O vencedor herdará todas essas bênçãos, e Eu serei seu Deus e ele será meu filho.» (Ap 21, 1-7)

De facto, as últimas palavras do Filho de Deus na Sagrada Escritura são precisamente o aviso da Sua Vinda: «Sim. Venho muito em breve!» (Ap 22,20). E a estas palavras São João responde «Ámen! Vem, Senhor Jesus.»

É São Pedro quem nos exorta a esperar com ele na Promessa que Jesus fez à sua Igreja: «Nós, confiados na Sua Promessa, esperamos uns céus novos e uma nova terra, nos que habite a justiça.» (2Pe 3,13).

O Apocalipse, cujo nome não significa “fim do mundo” (que é o que pensa o imaginário do comum dos mortais), mas “Revelação”, vem revelar, precisamente, a consumação vitoriosa do plano de Deus: a união definitiva da humanidade redimida com o Redentor e Salvador, Cristo Jesus. Este é o núcleo essencial do último livro da Sagrada Escritura, no qual vem também descrito o processo histórico —agonizante— que conduzirá ao triunfo de Jesus, descrição que se dá ora segundo o recurso a uma linguagem simbólica, ora segundo o recurso a uma linguagem literal.

O “Fim do Tempo” e a consumação do Projecto Divino

O desenrolar do projecto divino de levar o homem e o universo (para ele criado) a gozar eternamente da Vida de Deus é condicionado (não determinado!) pela resposta que o homem ao longo da historia dá ao desígnio amoroso de Deus. Ora, Deus, na sua Omnisciência conhece perfeitamente as respostas particulares que cada homem concreto dá ao Seu projecto de amor, e de como elas vão levando a historia à sua inexorável consumação: a Vinda de Cristo, Rei do Universo, e a entrada da criação inteira no âmbito da vida divina.

Deus, que guia a historia do Universo ao seu cumprimento em Cristo Jesus, vai alentando a sua Igreja nesta peregrinação até ao Seu encontro, e lhe vai mostrando que tempo vive em cada momento da história. Se bem que é verdade, como Jesus ensina, que ninguém sabe o dia nem a hora da Vinda do Filho do homem (cf. Mt 24,36), também são verdade estas outras palavras do Filho de Deus:

«Portanto, aprendei com a parábola da figueira: quando os seus ramos se renovam e as suas folhas começam a brotar, sabeis que está próximo o verão. Da mesma forma também vós quando virdes todos esses acontecimentos, sabei que Ele [o Filho do Homem, que vem a instaurar o seu Reino][4] está muito próximo, às portas.» (Mt 24,32-33).

E, de facto, seja por meio de Jesus mesmo ou dos seus Apóstolos, na Sagrada Escritura foram deixados à Igreja de Deus os sinais que precedem a Segunda Vinda de Nosso Senhor.

Michael Schmaus, teólogo dogmático de renome, director da tese doutoral de Joseph Ratzinger, agrupa, na suaDogmática[5], os sinais que a Escritura anuncia como preludio da Segunda Vinda de Cristo:

«Ainda que a data da volta de Cristo é indefinida, deu-se-nos a conhecer os signos que a precederão. Estes são: a predicação do Evangelho a todo o mundo, a conversão do povo judio, penas e tribulações da Igreja, a aparição do Anticristo e o caos da criação.»

Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas (Lc 21,25) antes de que chegue o Dia de Yahvé grande e terrivel (Joel 3,4)

O que no Novo Testamento vem entendido como a “Vinda de Nosso Senhor”, no Antigo Testamento é chamado “Dia de Yahvé”, o dia da justiça divina. Em ambos testamentos da Sagrada Escritura, os sinais no sol, na lua e nas estrelas vêm identificados como precursores do Dia de Yahvé, como precursores da Segunda Vinda de Jesus.

Por exemplo:

Isaías 13,9-13: «Eis o dia Yahvé, que vem implacável, e com ele o furor ardente da ira, reduzindo a terra a desolação e dela extirpando os pecadores. Com efeito, as estrelas do céu e Órion não darão a sua luz. O sol se escurecerá ao nascer, e a lua não dará a sua claridade. Punirei o mundo por causa da sua maldade e os ímpios por causa da sua iniquidade; porei fim à arrogância dos soberbos, humilharei a altivez dos tiranos. Farei com que os homens sejam mais raros que o ouro fino, os mortais mais raros que o ouro de Ofir. Por isso farei estremecer os céus, a terra tremerá sobre suas bases, em virtude do furor de Yahvé dos Exércitos, no dia em que arder a sua ira.»

Isaías 24,19-23: «A terra será toda arrasada, a terra será sacudida violentamente, a terra será fortemente abalada. […] o seu crime pesará sobre ela, ela cairá e não mais se levantará. E acontecerá naquele dia, que Yahvé visitará o exército do alto, no alto, e os reis da terra, na terra. Eles serão reunidos como bando de prisioneiros destinados à cova; serão encerrados no calabouço; depois de longo tempo, serão chamados a contas. A lua ficará confusa, o sol se cobrirá de vergonha, porque Yahvé dos Exércitos reina no monte Sião e em Jerusalém, e a Gloria resplandece diante dos anciãos.»

Em Ezequiel 32,7-8, Yahvé profetiza contra Egipto (símbolo do poder que oprime Israel): «Ao morreres, cobrirei os céus e escurecerei as suas estrelas, cobrirei o sol com as nuvens e a lua não dará a sua luz. Escurecerei todos os astros do céu por tua causa e espalharei as trevas sobre a tua terra, oráculo do Senhor Yahvé.»

Joel 2,1-2.10-11: «Tocai a trombeta em Sião, dai alarme na minha morada santa! Tremam todos os habitantes da terra, porque está a chegar o dia de Yahvé! Sim, está próximo um dia de trevas e escuridão, um dia de nuvens e de obscuridade! […] Diante dele a terra se comove, os céus tremem, o sol e a lua escurecem e as estrelas perdem o seu brilho! Yahvé levanta a sua voz diante do seu exército! Sim, o seu acampamento é muito grande, o executor da sua palavra é poderoso. Sim, o dia de Yahvé é grande, extremamente terrível! Quem poderá suportá-lo?»

Joel 3,1-5: «“Depois disto, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos anciões terão sonhos, os vossos jovens terão visões. Até sobre os escravos e sobre as escravas naqueles dias, derramarei o meu Espírito. Porei sinais nos céus e na terra, sangue, fogo e colunas de fumaça”. O sol se transformará em trevas, a lua em sangue, antes que chegue o dia de Yahvé grande e terrível! Então, todo aquele que invocar o nome de Yahvé, será salvo.»

Amós 8,9-10: «Acontecerá naquele dia, —oráculo do Senhor Yahvé— que eu farei o sol declinar em pleno meio-dia e escurecerei a terra em um dia de luz.»

Salmo 104,19: «Ele fez a lua para marcar os tempos, o sol conhece o seu ocaso.»

Lucas 21,25-28 ( || Marcos 13,24-27 || Mateus 24,29-31): «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra, as nações estarão em angustia, inquietas pelo bramido do mar e das ondas; os homens desfalecerão de medo, na expectativa do que ameaçará o mundo habitado, pois os poderes dos céus serão abalados. E então verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com poder e grande gloria. Quando começarem a acontecer estas coisas, erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação.»

Apocalipse 6,12: «Vi quando ele abriu o sexto selo: houve um grande terramoto; o sol tornou-se preto como um pano de crina, e a lua inteira como sangue; as estrelas do céu precipitaram-se sobre a terra, como a figueira que deixa cair os seus frutos ainda verdes ao ser agitada por um vento forte; o céu afastou-se como um livro que é enrolado; as montanhas todas e as ilhas foram removidas do seu lugar; os reis da terra, os magnatas, os capitães, os ricos e os poderosos, todos os escravos e os homens livres, esconderam-se nas cavernas e pelos rochedos das montanhas, dizendo aos montes e às pedras: “desmoronai sobre nós e escondei-nos da face daquele que está sentado no trono, e da ira do Cordeiro, pois chegou o Grande Dia da sua ira, e quem poderá ficar de pé?”»

Também a Santíssima Virgem nas suas aparições alertou para os sinais no sol, na lua e nas estrelas, recordando a iminência da Segunda Vinda do Seu Filho.

Assim em La Salette[6] (1846):

«As estações mudarão, a terra só dará maus frutos, os astros perderão os seus movimentos regulares, a Lua não projectará senão uma débil luz avermelhada. A água e o fogo darão ao globo terrestre movimentos convulsivos e horríveis tremores de terra que engolirão montanhas, cidades, etc..

Roma perderá a fé e se tornará sede do Anticristo.

Os demónios do ar, junto com o Anticristo, farão grandes prodígios na terra e nos ares. E os homens se perverterão cada vez mais.»

E nas aparições de El Escorial[7] (1981-2002), Nossa Senhora também insiste abundantemente:

«Será um tempo em que os filhos vão lutar contra os pais, as noras contra as sogras e irmãos contra irmãos. Morrerão muitos inocentes. Eu esperá-los-ei na Minha morada. As moradas estão preparadas para os escolhidos, mas os calabouços do Inferno também estão preparados. A luta vai parecer-vos muito longa e o Inimigo será, então, vencedor. Haverá três dias de escuridão; o Sol escurecerá e a Lua dará uma luz muito ténue. Os verdadeiros filhos de Deus continuarão a rezar, não se esquecendo de Deus. Esses dias serão terríveis! Será nesses momentos que se conhecerão os verdadeiros imitadores de Cristo. Não desembainheis a vossa espada. Lembrai-vos que foi dito: “Quem com ferros mata, com ferros morre”. O que Eu vos peço é oração, pois com a oração salvar-vos-eis.» (25.setembro.1981)

«Minha filha, repito-te como repeti a outras almas muitas vezes: sê humilde e segue o caminho que o Meu Filho te traçou. Todos os que percorrem o caminho para a luz têm de carregar a cruz e seguir o caminho do sofrimento. Mas os seres humanos não pensam em nada mais do que em divertir-se e cometer pecados. Diz a todos que se não mudarem e não pedirem perdão dos seus pecados nem se arrependerem, o Castigo está muito próximo. O toque das trombetas vai soar muito em breve e, nesse momento, a terra tremerá, o Sol girará sobre si com grandes explosões, a Lua escurecer-se-á e em todo o planeta terra ver-se-ão muitos fenómenos. Um astro iluminará a terra. Vai parecer que está envolta em chamas e isto vai durar vinte minutos. O pânico propagar-se-á por toda a parte. Todos os que acreditem em Deus e na Santíssima Virgem ficarão como em êxtase durante esses vinte minutos. Tudo isto está muito próximo, Minha filha.» (26.Fevreiro.1982)

«Os exércitos do Pai, formados por biliões e biliões [de Anjos], estão preparados. Basta o Pai mover o Seu braço para descerem à terra e separarem o joio do trigo, lançando o joio nas profundezas dos infernos e transportarem o trigo para os celeiros do Meu Filho. Por isso, diz a todos que estejam preparados para quando chegar esse momento. Dentro de pouco tempo, o Sol deixará de brilhar e a Lua deixará de alumiar.»  (7.Maio.1983)

«Está muito próximo o fim dos fins. Tomai atenção: haverá sinais na Lua, no Sol e nas estrelas. É muito importante que presteis atenção, porque é o fim dos fins, e o Meu Filho está a dar avisos para toda a Humanidade, mas os homens não fazem caso; não querem saber dos Meus avisos para nada. Pobres almas, Minha filha, pobres almas; que pena Me dão!» (24.setembro 1983)

«Eu disse-vos há uns dias para fixardes o vosso olhar nos astros e na Lua. Quando a lua começar a tornar-se avermelhada e os astros perderem o seu brilho natural, será espantoso. O Castigo será espantoso. Mas para as almas que cumpriram o Evangelho de Cristo, assim como os Dez Mandamentos…, será um paraíso eterno, Meus filhos! Um dos paraísos que o Pai preparou para vós.» (16.Junho.1984)

Nas revelações de Nosso Senhor a Anne[8] (EUA), em 2004 é nos dito:

«Filhos que estais no mundo, dirijo-me a vós com um aviso. Não desejo ver o vosso mundo gerar mais trevas. Estou a permitir que os Meus anjos golpeiem o Mundo, a fim de que as almas saiam das suas buscas mundanas e dirijam a atenção ao seu Deus. Quando uma alma se prepara para morrer, aquela alma não está preocupada com as coisas do mundo, mas considera as coisas do próximo mundo. O homem, porque foi enganado, não pensa nada sobre o próximo mundo. As almas que seguem este mundo concentram-se exclusivamente nelas, dando uma constante e total consideração a elas mesmas. Certamente, isto cessará quando o homem seja forçado a olhar para os céus, quando estes se tenham aberto lançando avisos e castigos. Meus Queridos, Eu não sou vingativo. Procuro apenas justiça e o fim das trevas. Fostes informados acerca das trevas que cobrirão a terra. Antes que chegue esse tempo tereis sinais na forma de transtornos no céu. A lua resplandecerá uma cor vermelha que será facilmente visível. Os homens procurarão explicar isto cientificamente. Sabereis que se trata de um sinal. Quando virdes isto, preparai-vos para o tempo das trevas, porque é iminente. Para que vos prepareis deveis permanecer recolhidos em oração.» (27.Maio.2004)

Sentido teológico dos astros como reveladores do Projecto Divino do Criador

De facto, Deus estabeleceu os céus com inteligência (Prov. 3,19; cf. Sal 136,5). Deus fez as estrelas em grande número, mas contado (cf. Sal 147,8). Os astros que Deus criou têm uma ordem de aparição estabelecida (cf. Is 40,26), cada estrela tem um resplendor diferente (cf. 1Cor 15,41), cada uma é distinta e, por isso, a cada uma Deus lhe dá um nome[9] (cf. Is 40,26, Sal 146,4).

«Deus disse: “Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais (heb: oth), tanto para as festas (heb: moed) quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra”, e assim se fez.» (Gn 1,14-15).

A finalidade que Deus atribuiu às estrelas (astros) é alumiar física e espiritualmente a terra. Assim, fisicamente, as estrelas servem para medir os tempos e as estações (calendário), o que permite ordenar a vida do homem. As estrelas, com os seus movimentos regulares, são um relógio cósmico de alta precisão.

A palavra hebraica moed (cf. Gn 1,14), significa “festa”, “solenidade”, e estas vêm determinadas pelos movimentos dos astros, más precisamente da lua. Assim em Lv 23,4: «Estas são as festas do Senhor, assembleias santas, que tu as convocarás nas datas estabelecidas». Assim, Deus estabeleceu para Israel, o seu povo escolhido, tempos especiais de festividades nos quais os israelitas haviam de regozijar-se. Tanto pela sua origem (a explícita vontade de Yahvé) como pelo seu propósito (render o culto agradável a Deus) e a maneira na que se deveriam celebrar, eram chamadas “assembleias sagradas” (heb: miqraéi qódesh) e eram também as “festas solenes do Senhor” (heb: moadéi Adonay).[10] Quanto às “festas solenes do Senhor” (heb: moadéi Adonay), aquele termo moed (“festa solene”, “solenidade”) leva implícita a ideia de “cumprir com um encontro sagrado”[11]. Por tanto, Deus associou os movimentos dos astros com a vida do homem, com os tempos do homem que vive na historia, e, em particular, são os movimentos dos astros os que determinam os momentos dos próprios “encontros sagrados”.

Por outro lado os astros do céu vão indicando ao homem sábio, os tempos que Deus dispôs, no cumprimento do seu plano divino. Assim, por exemplo, foi como os sábios Reis Magos souberam do nascimento do verdadeiro Rei de reis, Jesus Cristo: “vimos sair a sua estrela e viemos adorá-lo” (Mt 2,2).

A perfeição do universo criado vai impregnada da inteligência genial de Deus que dispôs nos movimentos dos astros a narrativa do plano divino de salvação: eis a iluminação espiritual dos astros pensada pelo Criador. De facto, na sua infinita genialidade, Deus omnipotente e omnisciente —porque é conhecedor do passado, presente e futuro, porque penetra as entranhas do coração do homem e conhece a resposta dele ao Seu plano divino, porque conhece a leis dos céus e determina o seu mapa na terra (cf. Jb 38,33)— associou os movimentos dos astros à própria resposta que os homens dão ao plano divino.

Assim, quando chegou a plenitude dos tempos (cf. Ga 4,4) aquela estrela guiou os Reis Magos ao verdadeiromoad, ao verdadeiro “encontro sagrado” com o Deus nascido da Virgem Maria. Os Magos de Oriente não pertenciam ao povo de Israel, e por isso não tinham (provavelmente) o conhecimento da revelação sobrenatural que Israel teve por meio dos profetas; não obstante, reconheceram nos céus o sinal divino que Deus omnisciente ali preestabeleceu. A estrela do firmamento parou-se onde estava o Deus-menino, deteve-se sobre Belém. E Belém era a cidade profetizada pelo profeta Miqueias como o lugar donde havia de nascer o Cristo (cf. Mt 2,4-6; Mi 5,1-3). Ora, de facto, porque um e o mesmo é o Criador e o Revelador, não pode haver contradição entre a noticia que procede da revelação natural e a noticia que procede da revelação sobrenatural.

A Sagrada Escritura, em Gn 1,15, é explícita e diz que as estrelas foram criadas como signos (cf. Jb 38,31-33). Um signo é uma figura convencional que tem associado um significado ou mensagem; neste caso, as constelações, as estrelas, os planetas, o sol e a lua têm associado um significado ou mensagem, tal como aquele astro que guiou os Reis Magos até ao lugar onde nasceu o Deus-Menino. O conjunto de todas as mensagens é que os céus proclamam a gloria de Deus, como canta o Salmo 19:

«Os céus contam a glória de Deus,
e o firmamento proclama a obra das suas mãos.
O dia passa a mensagem a outro dia,
e a noite à outra noite a sussurra,
sem que falem, sem que se lhes oiça,
sem que ressoe a sua voz,
a sua linguagem alcança toda a Terra,
até aos confins do mundo as suas palavras.» (Sal 19,1-4)

Ora, como ensina São Ireneo de Lyon «a gloria de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus»[12]. Portanto, como demonstrámos, faz todo o sentido que os céus vaiam anunciando os momentos concretos de salvação —“kairos”— que nos aproximam cada vez mais da consumação definitiva do Divino projecto da salvação.

Relação do Povo de Israel com a Segunda Vinda de Cristo

O povo judeu, apesar da sua infidelidade (cf. Rom 10), continua a ser herdeiro das promessas, como recorda São Paulo (cf. Rom 11). E vimos que a promessa que Cristo —o Filho de Deus enviado ao seu povo, e que o seu povo, de facto, não reconheceu (cf. Jo 1,11)— de voltar para libertar definitivamente o homem, se identifica com aquela que é feita ao povo de Israel, que espera o Dia Yahvé, o dia da vinda do Messias que libertará a Israel dos seus inimigos (como mostram as citações bíblicas anteriores). Assim São Paulo aos Romanos:

«Não quero, irmão, que ignoreis este mistério, para que não presumais de sábios: o endurecimento parcial que padeceu Israel durará até que entrem todos os gentios. Desse modo todo o Israel se salvará, como diz a Escritura: De Sião virá o libertador e afastará as impiedades de Jacob, e esta será a minha aliança com eles, quando eu perdoe os seus pecados». Quanto ao Evangelho, eles são inimigos por vossa causa; mas quanto à Eleição, eles são amados, por causa dos seus pais. Porque os dons e a chamada de Deus são irrevocáveis.»

Com efeito, já dissemos que outro dos sinais que precede a Segunda Vinda de Nossa Senhor Jesus Cristo é a conversão do povo de Israel. Assim São João Damasceno, Bispo e Doutor da Igreja, na sua Expositio Fidei IV, 26:

«Além disso, serão enviados Enoch e Elias o tesbita, e dirigirão os corações dos pais aos filhos (Ml 4,6). Isto quer dizer que a Sinagoga voltará a nosso Senhor Jesus Cristo e à predicação dos Apóstolos. Mas serão mortos por ele [o Anticristo]. Então o Senhor virá do céu do mesmo modo como o Apóstolos o viram subir ao céu: perfeito Deus e perfeito homem com gloria e poder. Com o Espírito da sua boca destruirá ao homem de iniquidade, o filho da perdição. Por isso que ninguém espere que o Senhor venha da terra, mas do céu, como ele mesmo assegurou.»

A vinda de Elias e Enoch vem profetizada na Sagrada Escritura no capítulo 11 do Livro do Apocalipse quando fala das “duas testemunhas”. Como Santo Tomás de Aquino recorda, a Sagrada Tradição (como acabamos de ver, por exemplo, com São João Damasceno) identificou as “duas testemunhas” com Elias e Enoch:

«Elias foi arrebatado ao céu aéreo não ao céu empíreo, que é o lugar dos bem-aventurados. O mesmo se deu com Enoch; foi arrebatado ao paraíso terrestre, onde cremos que vive junto com Elias até o advento do Anticristo.» (São Tomás de Aquino, Summa Theologie III, q. 49, a. 5, ad 2)

Também a Santíssima Virgem nas suas aparições, nas que procura incessantemente  conduzir os homens a Cristo, seu Filho, nos adverte que o tempo da vinda de Elias e Enoch está próximo. Nas sua aparição de La Salette (1846):

«A Igreja será eclipsada, o mundo estará na consternação. Mas aí estarão Enoch e Elias, cheios do Espírito de Deus. Eles pregarão com a força de Deus, e os homens de boa vontade acreditarão em Deus e muitas almas serão consoladas. Eles farão grandes progressos, pela força do Espírito Santo, e condenarão os erros diabólicos do Anticristo.»

E passados 135 anos, nas aparições de El Escorial (1981-2002), Nossa Senhora diz que Elias e Enoch estão prontos para missão que Deus lhes confiou.

«A quarta morada está preparada para a luta. Nesses momentos Elias e Enoch estarão presentes e farão grandes prodígios, para que os inimigos do Meu Filho se arrependam e voltem para Deus. […] Eu lanço-vos um apelo, Meus filhos, tomai a cruz e segui o Meu Filho, que está muito cansado; ajudai-O a encontrar alívio para a Sua Cruz. Sede constantes na oração e fazei sacrifícios. Elias e Enoch, testemunhos de Jesus, serão de grande eficácia para a conversão da Humanidade. Serão mortos, mas depois das suas mortes haverá um grande milagre, como está escrito: quem tiver olhos que veja e quem tiver ouvidos que oiça. Quem tiver sede que acorra ao Meu Filho, que Ele é a Fonte da Vida. Quem estiver sobrecarregado que acorra ao Meu Filho, que Ele o aliviará. Vinde ao Meu Filho, que Ele vos levará à morada da vida. Nessa morada está escrito: “Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue será salvo.» (25 de Setembro de 1981).

A Lua de Sangue

Aquela estrela que guiou os Reis Magos até Belém anunciou a Primeira Vinda do Filho de Deus ao mundo para redimir o homem escravizado pelo pecado e pelo senhor do pecado que é Satanás. Esta primeira vinda de Nosso Senhor foi uma vinda em condição de escravo, humilhada, como nos recorda o hino de Filipenses (cf. Fil 2,5-8), como esteve profetizada por Deus mesmo, por meio do profeta Isaías (cf. Is 42,1-9. 49,1-8. 50,4-11. 52,13-53,12).

Ora, um dos sinais que aparecerão no céu como preludio da Segunda Vinda de Nosso Senhor, uma Vinda em poder, em justiça, em majestade, como já vimos anteriormente (cf. Is 11.24-27; Ez 38-39; Za 8-14; Mc 13; Mt 24-25; Lc 21,5-26; 1Tes 2,19. 4,13-5,11. 5,23-24; 2Tes 2; 2Pe 3,1-13; Ap. 19,11-16), é o sinal da lua vermelha, biblicamente chamada “Lua de Sangue” (cf. Jl 3,4; Ap 6,12).

Já vimos como, na sua infinita genialidade, Deus omnipotente e omnisciente —porque é conhecedor do passado, presente e futuro, porque penetra as entranhas do coração do homem e conhece a sua resposta ao Seu plano divino, porque conhece a leis dos céus e determina o seu mapa na terra (cf. Jb 38,33)— associou os movimentos dos astros à própria resposta que os homens dão ao plano divino.

Assim, por tanto, o fenómeno natural que faz com que a lua adquira a cor vermelha —eis a Lua de Sangue— é o eclipse lunar total. A luz solar, ao passar pela atmosfera terrestre, é refractada no espectro do vermelho, e é esta luz vermelha que ilumina a lua quando esta passa pela sombra da terra. É o mesmo fenómeno que ocorre na aurora e no ocaso, nos quais o céu adquire tons laranjas-avermelhados.

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Esquema deo Eclipse Luna (Total)

A NASA calculou todos os eclipses solares e lunares (parciais e totais) compreendidos entre os anos 1999 a.C. e 3000 d.C. e elaborou uma tabela donde figuram os dados destes 5000 anos de eclipses lunares. Eis o link: http://eclipse.gsfc.nasa.gov/LEcat5/LEcatalog.html.

Durante estes 5000 anos se darão 12064 eclipses lunares parciais, penumbrais e totais, indistintamente. Destes, 3479 são eclipses totais (28.8%). Durante os cinco milénios acorrerão 142 Tetras Lunares. O Tetra lunar consiste em quatro eclipses totais da lua seguidos, é dizer, sem serem intervalados por eclipses lunares parciais. Dos 142 Tetras, 62 ocorrerão entre o ano 1 d.C. e o ano 2100 d.C. Destes 62 Tetras, 8 ocorrem em Festas Bíblicas do povo judeu: a Festa da Páscoa e a Festa dos Tabernáculos: são chamados, por esta razão, Tetras Bíblicos. A Festa da Páscoa (Pasja) celebra a libertação do Povo de Israel da escravidão de Egipto (cf. Ex 12-15), que Deus obrou de modo sobrenatural, “com mão forte e braço estendido” (cf. Sal 136,12); desde as pragas que Deus lançou sobre Egipto (cf. Ex 7,8-11,10), passando pelo Anjo Exterminador que matou a todos os primogénitos, até ao Mar Vermelho aberto em dois para permitir o aceso do Povo Escolhido até à Terra Prometida, tendo ficado sepultados nas aguas o Faraó com todo o seu exército (cf. Ex 14,15-31; Sal 136,15). A Festa dos Tabernáculos (Sukot) ou das Tendas, está ligada à memoria que Israel faz dos duros dias do Êxodo e da peregrinação no deserto do Sinai. Recordam ao povo que um dia foram pobres, para que na abundância não se esqueçam de Deus, fonte de toda prosperidade, e negligenciem os seus preceitos. De aqui que a Festa dos Tabernáculos tem também que ver com a providencia de Yahvé pelo seu povo, com a bênção da terra.

Temos assim as Luas de Sangue profetizadas pelos profetas do Antigo Testamento, anunciadas pelo mesmo Jesus Cristo, e voltadas a recordar no livro do Apocalipse como preludio da Vinda Gloriosa do Nosso Deus e Senhor, a marcarem a sua presença nas moadéi Adonai (“Festas do Senhor”), recordando que a Divina Promessa, de Jesus Cristo, o Filho do Altíssimo, está a ponto de cumprir-se: «Sim, venho muito em breve!» (Ap 22,20).

O oitavo Tetra Bíblico decorre entre os anos 2014 e 2015, e até aos anos 2582-83, isto é, até de aqui a 567 anos, não haverá outro Tetra Bíblico. Este oitavo Tetra Bíblico (cf. Gráfico 8A), cujo 4º e último eclipse lunar total deste Tetra se dará no dia 28 de Setembro de 2015, apresenta uma configuração de todo peculiar, respeito dos outros sete Tetras Bíblicos: uma simetria perfeita, inigualável. É o signo perfeito de Deus, o sinal de que a hora chegou!! Isto não significa que Jesus Cristo volte para instaurar o seu Reino (cf. Ap 20,1-6) durante o tempo do Tetra, ou no último eclipse do Tetra. Não! Mas, sem dúvida, sim indica aquilo que Jesus diz: «Quando começarem a acontecer estas coisas, erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação.» (Lc 21,28).

Não deixa de ser iluminador verificar como o Gráfico 6 e o Gráfico 7, correspondentes respectivamente ao 6º e 7º Tetra Bíblico, representam acontecimentos de grande importância para o povo de Israel, que nunca deixou de ser herdeiro da Divina Promessa como mostramos ao falar de Rom 11. Durante o 6º Tetra, Israel é declarada nação pela primeira vez em 2000 anos. Durante o 7º Tetra, Jerusalém volta a ser a capital de Israel e o Monte do Templo volta a ser possuído por Israel ao fim de 2000 anos.

Aqui os gráficos dos 8 Tetras Bíblicos desde o Nascimento Cristo.

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Notas

[1] São Pedro Crisólogo, Sermões 117 1-2: CCL 24A, 709 (PL 52, 520)

[2] Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaret. Desde la entrada en Jerusalén hasta la Resurrección. Encuentro, 20113, p. 97.

[3] São Pedro Crisólogo, Sermões 117 1-2: CCL 24A, 709 (PL 52, 520)

[4] Nota da Bíblia de Jerusalém a Mt 24,33.

[5] Michael Schmaus, Dogmática. VII Escatologia. Rialp, Madrid 1962, p. 168.

[6] El 19 de septiembre de 1851, Mons. Filiberto de Bruillard, Obispo de Grenoble, publica finalmente su “carta pastoral“. He aquí el párrafo esencial:

«Juzgamos que la aparición de la Santísima Virgen a dos pastores, el 19 de septiembre de 1846, en una montaña de la cadena de los Alpes, situada en la parroquia de La Salette, del arciprestazgo de Corps, contiene en sí todas las características de la verdad, y que los fieles tienen fundamento para creerla indudable y cierta

No Apelos de Nossa Senhora: http://apelosdenossasenhora.blogspot.pt/search/label/1846%20–%20Nossa%20Senhora%20de%20La%20Salette%20%28França%29.

[7] Los más de 376 mensajes de la Santísima Virgen siguen en estudio por parte de la comisión de teólogos nombrada por parte del Arzobispo de la diócesis madrileña, el entonces D. Antonio María Rouco Varela. No obstante, desde el año 2012 está permitido, por parte de la misma autoridad eclesiástica, el Culto Eucarístico permanente y autorizada la construcción de la capilla que la Virgen María pidió en Su primera aparición (14 de junio de 1981), con el fin de que se viniera de todo el mundo a meditar en la Pasión de Su Hijo, que está muy olvidada.

No Apelos de Nossa Senhora: http://apelosdenossasenhora.blogspot.it/2014/09/nossasenhora-de-el-escorial-espanha.html.

[8] Nota del Obispo de Kilmore, Leo O’Reilly:

«To Whom It May Concern: I hereby grant an Imprimatur for the books of Anne, a lay apostle, listed below which received the Nihil Obstat of Censor Deputatus Very Rev. John Canon Murphy, PP, VF, Bailieborough. [en la nota viene discriminada la lista de los libros] Given at Cullies, Cavan on 12thNovember 2013. Leo O’Reilly, Bishop of Kilmore.»

No Apelos de Nossa Senhora: http://apelosdenossasenhora.blogspot.pt/2014/11/jesus-anne.html.

[9] Sabemos que na Sagrada Escritura o nome vai associado à missão que vem por Deus confiada. Assim Kefas, o nome que Jesus dá a Simão, significa “pedra”: Eva significa “mãe dos viventes”; Abraão, “pai de muitas nações”; Jesus, “Salvador”; Daniel, “justiça de Deus”; Gabriel, “mensageiro de Deus”, etc… Também as estrelas tem a sua missão.

[10] De facto, é Deus mesmo que organiza o calendário do seu povo: cf. Ex 12,2; Lv 23,1-5.

[11] Outras acepções bastante relacionadas com esta ideia central aparecem no Diccionario de Hebreo Bíblico[11]: “lugar acordado de reunião” (cf. Jos 8,14), “tempo fixado” (cf. Ex 9,5), “prazo” (cf. Dn 12,7), “acordo” (cf. Jz 20,38), “assembleia” (Is 14,13).

[12] Adversus Haereses IV, 20, 7

Publicado por Joao Pedro BM

Etiquetas: Tetra Eclipse Lunar Bíblico 2014-2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nossa missão

endcrossApresentamos este Site de apologética e temas católicos de interesse geral feito por leigos fiéis ao ensino magisterial da Igreja Católica e à Cátedra de Pedro. Nossa missão é apresentar leituras e recursos audiovisuais que auxiliem o católico de fala portuguesa a formar-se na fé e defesa da doutrina apostólica.

Neste esforço coletivo, nossa comunidade não se esquece daqueles que receberam o chamado e seguem no processo de discernir seu ingresso na Igreja Católica. Esperamos que as muitas histórias de conversões, vidas exemplares e o exemplo dos santos de todos os tempos impulsionem a muitos a procurar Cristo na Igreja que Ele fundou.
Em sua encíclica “Redemptoris Missio”, João Paulo II resumiu perfeitamente a tarefa que é colocada diante de nós:

Povos todos, abri as portas a Cristo! O Seu Evangelho não tira nada à liberdade do homem, ao devido respeito pelas culturas, a tudo quanto de bom possui cada religião. Acolhendo Cristo, abris-vos à Palavra definitiva de Deus, Àquele no qual Deus se deu a conhecer plenamente e nos indicou o caminho para chegar a Ele.
O número daqueles que ignoram Cristo, e não fazem parte da Igreja está em contínuo aumento; mais ainda: quase duplicou desde o final do Concílio. A favor desta imensa humanidade, amada pelo Pai a ponto de lhe enviar o Seu Filho, é evidente a urgência da missão.

Por outro lado, a época que vivemos oferece, neste campo, novas oportunidades à Igreja: a queda de ideologias e sistemas políticos opressivos; o aparecimento de um mundo mais unido, graças ao incremento das comunicações; a afirmação, cada vez mais frequente entre os povos, daqueles valores evangélicos que Jesus encarnou na sua vida: paz, justiça, fraternidade, dedicação aos mais pequenos; um tipo de desenvolvimento económico e técnico sem alma, que, em contrapartida, está a criar necessidade da verdade sobre Deus, o homem e o significado da vida.

Deus abre à Igreja os horizontes de uma humanidade mais preparada para a sementeira evangélica. Sinto chegado o momento de empenhar todas as forças eclesiais na nova evangelização e na missão ad gentes. Nenhum crente, nenhuma instituição da Igreja pode se esquivar deste dever supremo: anunciar Cristo a todos os povos” (Redemptoris Missio 3).

A urgência desta chamada não pode ser minimizada. O cristão de hoje é chamado a agir tal como o fizeram os cristãos dos primeiros séculos. Cabe a nós, mais uma vez, ser o sal da terra e conceder vida, mediante o Evangelho, a um mundo agonizante e a uma cultura que perdeu o rumo e se aproxima perigosamente do abismo da extinção.

Nosso esforço deve seguir o exemplo perfeito de Maria, que no século I foi a “primeira luz” do Evangelho, que iluminou a noite escura daquele antigo mundo em decadência: o mundo pagão.Não há tempo a perder!

Tempo sem Lei

Mark Mallett

Há alguns dias, um leitor norte-americano me escreveu, logo após a decisão da Suprema Corte de seu país ter inventado o direito ao “matrimônio” entre pessoas do mesmo sexo: “Estive chorando quase todo o dia (…) Enquanto tento dormir um pouco, me pergunto se você poderia me ajudar a compreender para onde estamos indo na corrente dos eventos que surgem”.

Vários pensamentos me vieram à mente no silêncio da semana que passou; são, em parte, uma resposta a essa consulta.

A visão

– “Escreve a visão e dispõe claramente nas tabuinhas, para que possa ser lida de pronto, pois a visão se concretizará no tempo assinalado; caminha para o seu cumprimento e não deixará de se cumprir. Ainda que pareça tardar, aguarda por ela, porque indubitavelmente ocorrerá” (Habacuque 2,2-3).

Há duas coisas que guiam e informam este Apostolado e que vale a pena sublinhar mais uma vez: a primeira é essa luz interior que o Senhor me deu para compreender que a Igreja e o mundo estão ingressando na Grande Tempestade (que é uma espécie de furacão); a segunda e mais importante premissa, no entanto, é filtrar absolutamente tudo através da autoridade magisterial e da memória da Igreja, preservada na Sagrada Tradição, tentando responder fielmente à diretiva de João Paulo II:

– “Os numerosos encontros jubilares têm reunido os mais diversos tipos de pessoas, percebendo-se uma participação realmente impressionante, que às vezes tem colocado à prova o esforço dos organizadores e animadores, tanto eclesiais quanto civis. Desejo aproveitar esta carta para expressar a todos eles o meu mais cordial agradecimento. Porém, além do número de assistentes, o que tantas vezes me deixou comovido foi constatar o sério esforço de oração, de reflexão e de comunhão que estes encontros têm manifestado. Com relação a isto, acho que a ‘metáfora da tempestade’ enquadra-se perfeitamente ao conceito de ‘Dia do Senhor’ tida pelos Padres da Igreja primitiva e que ocorrerá durante e após a Tempestade”[1].

O panorama

O que é exatamente essa “Tempestade”? Levando em consideração as Escrituras, a visão dos Padres da Igreja, as aparições aprovadas da Santíssima Virgem, as profecias de santos como Faustina[2] e a Beata Catarina Emmerich, as inequívocas advertências papais, os ensinamentos do Catecismo e os “sinais dos tempos”, a Tempestade essencialmente nos faz ingressar no dia do Senhor. Segundo os primeiros Padres da Igreja, este não é o fim do mundo, mas um período específico prévio que nos conduz ao fim dos tempos e ao glorioso regresso de Jesus[3]. Esse tempo – nos ensinam os Padres – se encontra na visão de São João, que escreveu que depois do reino do Anticristo (a Besta) haveria um período de paz, simbolizado pelos “mil anos”, o “milênio” no qual a Igreja reinará juntamente com Cristo através do mundo (ver Apocalipse 20,1-4)[4].

– “Este nosso dia, que está marcado pelo nascer e pôr do sol, é a representação do grande dia que fixa os limites do ciclo de mil anos”[5]. E também, – “Vede que o Dia do Senhor será como mil anos”[6].

Os “mil anos”, no entanto, não devem ser entendidos literalmente mas de maneira figurada, como se se referissem a um período de tempo bastante longo[7], no qual Cristo reinará espiritualmente sobre todas as nações através da sua Igreja; e depois disto “virá o fim”[8].

A razão pela qual aponto isto é porque, segundo São João e os Padres da Igreja, o surgimento do “Audacioso” ou “Besta” ocorre antes do triunfo da Igreja — e que precede ao “tempo do reino” ou aquilo a que os patrísticos se referem como “o descanso sabático” da Igreja:

– “Porém quando o Anticristo tiver devastado tudo o que há no mundo, reinará por três anos e seis meses e se sentará no templo de Jerusalém; e então o Senhor virá com as nuvens do céu, lançando esse homem e aqueles que o seguem no lago de fogo, porém trazendo para os justos os tempos do reino, ou seja, o descanso, o sétimo dia santo. Isto deve suceder nos tempos do reino, isto é, no sétimo dia, o verdadeiro sábado dos justos”[9].

Isso quer dizer que teremos que passar pelo pior para chegar ao melhor. Como escreveu um dos autores favoritos de Santa Teresinha de Lisieux:

– “O ponto de vista mais autorizado, o que parece estar mais em harmonia com as Sagradas Escrituras, estipula que, depois da queda do Anticristo, a Igreja Católica entrará novamente em um período de prosperidade e triunfo”[10].

Em relação a isto, quero expressar qual é uma das senhas mais significativas do Anticristo, que parece estar revelando-se nestas horas.

A hora sem lei

Volto a contar, para meus leitores novos, uma experiência impagável que tive em 2005 e que um bispo canadense me pediu para pôr por escrito: eu ia dirigindo sozinho pela Columbia Britânica, no Canadá; estava a caminho do meu próximo concerto, desfrutando da paisagem e deixando fluir os meus pensamentos, quando, de repente, escutei no meu coração as palavras: “Tirei a restrição.”

Senti algo em meu espírito, algo difícil de explicar. Foi como se a força de um golpe atravessasse a terra; como se algo tivesse sido libertado no mundo espiritual[11].Nessa noite, no quarto do motel, perguntei ao Senhor se o que eu havia escutado estava nas Escrituras, já que a palavra “restrição” não me parecia familiar. Peguei a Bíblia e a abri diretamente em 2Tessalonicenses 2,3 e comecei a ler:- “Vos rogamos, irmãos, que não sejais sacudidos facilmente no vosso modo de pensar, nem vos alarmeis, nem por espírito, nem por palavra, nem por carta como se fosse nossa, no sentido de que o Dia do Senhor chegou. Que ninguém vos engane de maneira nenhuma, porque não virá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição…”São Paulo nos advertiu que o “Dia do Senhor” seria precedido por uma rebelião e a revelação do Anticristo; em uma palavra: audácia.

– “…antes da chegada do Senhor, chegará a apostasia e alguém aptamente descrito como ‘o homem sem lei’: ‘o filho da perdição’ deve ser revelado, a quem a tradição chama de ‘o Anticristo’“[12].

Porém, há algo que “restringe” a chegada deste Anticristo. Nessa noite, com a boca aberta, assombrado, prossegui lendo:

– “Vós sabeis o que o detém por ora, para que seja revelado no seu devido tempo. Porque o mistério da iniquidade já está em ação, só que aquele que por ora o detém, o fará até que ele mesmo seja tirado do meio. Então será revelado esse audacioso…”.

Quando pensamos na audácia, imaginamos quadrilhas percorrendo as ruas, ausência de polícía, crime por todas as partes etc. Porém, como podemos ver pelo passado, as formas mais insidiosas e perigosas de audácia vêm na forma de revoluções: a Revolução Francesa foi alimentada pelas massas dispostas a destronar a Igreja e a monarquia; o Comunismo nasceu quando o povo se levantou em Moscou durante a Revolução de Outubro; o Nazismo foi democraticamente eleito pelo voto popular; e, hoje, agindo paralelamente aos governos democraticamente eleitos, em conspiração com os operadores políticos, encontramos a força que impulsiona a presente Revolução Global: o ativismo judiciário, pelo qual as Cortes de Justiça simplesmente inventam leis como resultado da “interpretação” das Constituições ou Declarações de Direitos. Tudo isto para dizer que houve um aparecimento progressivo da audácia, que na verdade mina o fundamento das liberdades enquanto pretende defendê-las[13].- “Quando a própria cultura é corrupta e não se sustentam nem a verdade objetiva nem os princípios universalmente válidos, então as leis somente podem ser vistas como imposições arbitrárias ou obstáculos que devem ser evitados”[14].Acrescenta o Papa Francisco:

– “É por isso que a falta de respeito pela lei está se tornando mais comum”[15].

No entanto, tal como outros Papas advertiram, este foi o constante objetivo daqueles que trabalham contra a ordem atual[16].

Neste período, portanto, os partidários da iniquidade parecem estar aliando-se. Já não mantêm seus propósitos em segredo; estão se levantando atrevidamente contra o próprio Deus naquilo que é Seu propósito último; já está à vista, a saber: depor totalmente toda ordem política e religiosa mundial (que os ensinamentos cristãos têm produzido), o que deve ser sustituído por um novo estado de coisas conforme às suas ideias, cujos fundamentos e leis serão tomados do mero naturalismo (ver “Humanun Genus”, encíclica sobre a Maçonaria, nº 10, pelo Papa Leão XIII, de 20 de abril de 1884).

A Besta devora a liberdade

Irmãos e irmãs: afirmo isto para adverti-los que se guardem daqueles católicos bem-intencionados que insistem em afirmar que não podemos estar, de maneira nenhuma, nos aproximando do tempo do Anticristo. E a razão de sua insistência é esta: eles se têm limitado a uma teologia escolástica e uma exegese bíblica que não levam em conta todo o espectro dos escritos patrísticos, a teologia mística e a totalidade do ensinamento católico. E assim resulta que declarações magisteriais, como a que se segue, são convenientemente ignoradas:

– “Quem pode ignorar que a sociedade deste tempo, mais que em qualquer época anterior, sofre de um terrível e profundo mal, que aumenta dia após dia e consome o mais íntimo do seu ser, arrastando-a para sua destruição? Vós entendeis, veneráveis irmãos, o que é esta doença — a apostasia contra Deus. Quando se considera tudo isto, há boa razão para sentir temor. Não chegue a ocorrer que esta grande perversidade seja, por ventura, uma amostra e, talvez, o começo desses males que estão reservados para os últimos dias; e que já esteja presente no mundo o ‘Filho da Perdição’, de quem fala o Apóstolo”[17].

No entanto, um exame cuidadoso de nossos tempos revela a presença, neste momento, de todos os sinais que precedem e acompanham o “audacioso”.

I. Audácia e apostasia

Como disse anteriormente, a audácia está surgindo por todos os lados, não apenas na subversão da lei moral natural como também no que o Papa Francisco chama de crescente “atmosfera de guerra”[18], divisões na cultura e na família, e crises de índole econômica.

Porém, a palavra que São Paulo emprega para descrever a audácia é “apostasia”, que significa especificamente uma rebelião contra a Fé Católica, um rejeição dessa Fé. A raiz desta rebelião é o compromisso com o espírito deste mundo.

– “Nunca houve tal abandono da Fé Cristã quanto a que houve no século passado. Esta geração é certamente uma ‘candidata’ para a Grande Apostasia”[19].- “O amor ao mundo é a raiz de todos os males e nos pode levar a abandonar nossas tradições e a negociar nossa lealdade a Deus, que sempre é fiel. Isso (…) é o que se chama ‘apostasia’, que é (…) uma forma de ‘adultério’ que ocorre quando negociamos a essência do nosso ser: a lealdade ao Senhor”[20].Como se aponta nos parágrafos anteriores, mais de um Papa falou da apostasia que se manifesta entre nós.

– “A apostasia, a perda da fé, está se expandindo por todo o mundo e até mesmo nos mais altos níveis da Igreja”[21].

II. Desaparecimento da liberdade

Tanto o profeta Daniel quanto São João descrevem a “Besta” como uma potência mundial dominante a quem lhe é “dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação”.

A existência de um poder mundial, que tudo controla, está restando cada vez mais evidente[22], não só nas leis que impõem e restringem[23] as liberdades para “lutar contra o terrorismo”, mas ainda escravizando gradualmente não só os pobres como também a classe média através da “usura”[24]. Ademais, o Papa Francisco lamenta a “colonização ideológica” que obriga as nações de todo o mundo a adotar uma ideologia cada vez mais desumana.

Não se trata de uma bela irmandade global das Nações Unidas, cada um com seus próprios costumes, mas da globalização de uma uniformidade hegemônica em um pensamento único. E esse pensamento único é fruto da mundanidade[25].

III. Tecnologia sem direção

O Papa Francisco elucidou, da mesma maneira, a crescente ameaça do poder tecnológico que ameaça “não somente nossa política mas também a liberdade e a justiça”[26]. Prevalece um falso ideal como se “todo aumento de poder significasse um aumento do ‘progresso’ em si”[27]. Porém, isto não é possível – nos adverte Francisco – a menos que haja uma franca e aberta discussão da ética e das limitações da tecnologia. Da mesma forma que seu predecessor, Bento XVI, que enquadrou frequentemente as tendências econômicas e tecnológicas como um risco de escravizar à humanidade, de maneira similar Francisco adotou um tom universal que, ao mesmo tempo que toma nota dos benefícios e da necessidade da criatividade humana, nos adverte do crescente domínio da tecnologia por alguns poucos:

– “aqueles com conhecimento e, especialmente, com recursos econômicos para usá-los, têm um domínio impressionante sobre toda a humanidade e o mundo inteiro. Nunca antes a humanidade teve semelhante poder sobre si mesma e, ainda assim, nada nos assegura que tal poder será usado sabiamente, particularmente quando consideramos como vem sendo usado na atualidade. Basta pensar nas bombas nucleares lançadas no século XX, ou na série de tecnologias que o nazismo, o comunismo e outros regimes totalitários empregaram para matar milhões de pessoas; nem falemos do crescente arsenal de armas disponíveis para a guerra moderna. Em mãos de quem está ou, eventualmente, em que mãos pode chegar a cair esse poder? Sua posse por uma minoria é demasiado arriscada para a humanidade”[28].

IV. A aparecimento da “marca”

Alguém tem que ser um pouco ingênuo para não reconhecer o quão real e crescente perigo que está se tornando o comércio, cada vez mais restrito ao campo digital. Discretamente, sutilmente, a humanidade se vê cercada como gado em um sistema econômico no qual há cada vez menos participantes e cada vez mais controle centralizado. Os pequenos comerciantes são frequentemente substituídos por empresas de remessa pelo correio; os agricultores locais são substituídos por empresas multinacionais; e os bancos locais são absorvidos por enormes e frequentemente poderosas instituições financeiras anônimas, que colocam seus ganhos em primeiro lugar e só depois o benefício das pessoas, “interesses financeiros obscuros que transformam os homens em escravos privados de sua humanidade, porém que são eles próprios poderes abstratos aos quais o homem serve”, disse o Papa Bento XVI.[29]

Tecnologias que reduzem a compra e venda aos seus sistemas de reconhecimento digital correm o risco de eventualmente excluir aqueles que não “participam” do experimento social da maioria. Se, por exemplo, o dono de um negócio é forçado a fechar sua empresa por não fazer um bolo de casamento para uma cerimônia homossexual, quão tão longe estamos de um juiz ordenar o fechamento das contas bancárias daqueles considerados “terroristas” pelo Estado? Ou talvez, mais sutilmente, após o colapso do dólar americano e a chegada de um novo sistema econômico poderia ser implementada uma tecnologia que também demande a adesão a um “tratado global”? Os bancos já começaram a implementar na “letra tacanha” de seus contratos, cláusulas que insistem que seus clientes sejam “tolerantes” e “inclusivos”.

– “O Apocalipse fala da Besta, o adversário de Deus. Este animal não tem um nome mas um número. [No horror dos campos de concentração] foram canceladas as faces e as histórias, transformando o homem em um número, reduzindo-o a uma engrenagem dentro de uma enorme máquina. O homem não é mais que uma função. Em nossos dias não devemos esquecer que [o Holocausto] prefigurou o destino de um mundo que corre o risco de adotar a mesma estrutura dos campos de concentração, se a lei universal da máquina for aceita. As máquinas que foram construídas impõem a mesma lei. De acordo com esta lógica, o homem deve ser ‘interpretado’ por um computador e isso só é possível se for reduzido a um número. A Besta é um número e transforma os homens em números. Deus, no entanto, tem um nome e nos chama pelo nosso nome. Ele é Pessoa e vai em busca da pessoa”[30].

Estrangeiros e peregrinos

É evidente que os cristãos são agora os novos “estrangeiros”; nas nações ocidentais, nos tornamos objetos da violência. Visto que o número de mártires no século passado excede à soma dos mártires de todos os séculos anteriores combinados, é claro que entramos em uma nova perseguição da Igreja, que se torna mais agressiva a cada hora que passa. Este é outro “sinal dos tempos”, que indica que estamos próximos do olho da Tempestade.

No entanto, tudo isto é o que venho escrevendo e advertindo na última década, juntamente com muitas outras vozes na Igreja. O eco das palavras de Jesus ressoa nos meus ouvidos…

– “Eu vos tenho dito todas estas coisas para que, quando chegar a hora, vos recordeis do que vos tenho advertido” (João 16,4).

Tudo isto é para dizer a vocês, irmãos e irmãs, que os ventos estão embravecendo, as mudanças estão se acelerando, a Tempestade se tornará mais violenta. Repito: desde que esta tempestade começou, ao ver as notícias diárias, estamos vendo abrir, em tempo real, os Sete Selos da Revolução.

Porém, em tudo isto, Deus tem um plano para o seu povo fiel.Em fins de abril, compartilhei com vocês a palavra do meu coração: ”Vem Comigo”. Senti o Senhor chamando-nos mais uma vez a sair de Babilônia, a abandonar o mundo e entrar no “deserto.” O que eu não compartilhei naquele momento foi o meu profundo sentimento de que Jesus está nos chamando como uma vez chamou os “Padres do Deserto”: esses homens que fugiram das tentações do mundo, indo para a solidão do deserto para salvaguardar sua vida espiritual. Sua fuga para o ermo desolado gerou a base para o monasticismo do Ocidente, uma nova forma de combinar trabalho e oração.Minha impressão é que o Senhor está preparando lugares específicos para os quais os cristãos poderão ser levados, seja voluntariamente, seja por outra forma de remoção. Vi estes lugares para “exilados” cristãos, estas “comunidades paralelas”, em uma visão interior que tive há alguns anos enquanto orava diante do Santíssimo Sacramento (ver ”Os refúgios e solidões quem brotam”)[31]. No entanto, seria errado pensar que são apenas refúgios futuros; agora mesmo os cristãos precisam se agrupar, formar laços de unidade para prestar forças mutuamente, para ajudar e dar ânimo uns aos outros, porque a perseguição não é para amanhã: já está aqui.

Por isso, fiquei fascinado ao ler um artigo que apareceu na revista ”Time” da semana passada. Me emocionou por razões óbvias e parcialmente o cito aqui:

– “Nós, cristãos ortodoxos, devemos entender que as coisas se tornarão muito mais difíceis para nós. Teremos que aprender a viver como exilados em nosso próprio país (…) teremos que mudar a maneira com que praticamos a nossa fé e a ensinamos aos nossos filhos; a construir comunidades capazes de sobreviver”.

É o momento que eu chamo de “a opção Bento”. Em seu livro ”Depois da Virtude”, publicado em 1982, o eminente filósofo Alasdair MacIntyre comparou nossa era à queda da antiga Roma. Nos coloca Bento de Núrsia como exemplo: um jovem cristão devoto que deixou o caos de Roma para retirar-se aos bosques para rezar. MacIntyre diz que, se queremos viver de acordo com as virtudes tradicionais, devemos encontrar novas maneiras de fazê-lo. Diz:

– “Esperamos um São Bento novo e indubitavelmente diferente”.

Durante a Idade Média, as comunidades beneditinas formaram monastérios e mantiveram acesa a luz da fé rodeados por uma cultura obscura. Eventualmente, os monges beneditinos ajudaram a refundar a civilização[32].

Certamente, o Papa Bento nos advertiu, em sua carta a todos os bispos do mundo, que “a fé corre o perigo de morrer tal como uma chama que já não possui combustível”[33]. Porém, esta hora de audácia também apresenta uma oportunidade: a de ser guardião e defensor da fé, preservando a verdade e mantendo-a viva e acesa no próprio coração. Agora mesmo a “era de paz” que se aproxima está sendo formada nos corações daqueles que confiam em Jesus. Deus está preservando um povo, frequentemente escondido do mundo, por meio da ensinamento nos lares, novas vocações para o sacerdócio, e a consagração religiosa da vida, para chegar a ser sementes de uma nova idade, uma nova civilização do amor.

Estamos nos aproximando cada vez mais rápido e atingindo o Olho da Tempestade[34]. Quanto tardarão estas coisas para ocorrer? Meses? Anos? Décadas? O que eu posso dizer, queridos irmãos e irmãs, é que quando virmos estes eventos ocorrer (ainda agora mesmo) um após outro e parecendo que a Igreja e o mundo estão a ponto de se perderem, recordemos as palavras de Jesus:

– “Porém, Eu vos tenho dito estas coisas para que, quando chegue a hora, vos acordeis de que Eu já vos tinha falado delas” (João 16,4).

E, então, fiquemos tranquilos, sejamos fiéis e esperemos a mão do Senhor, que é refúgio de todos aqueles que permanecem Nele.

Notas:

[1] Novo Millenio Ineunte, nº 9.

[2] cf. “Faustina, and the Day of the Lord” (“Faustina e o Dia do Senhor”).

[3] cf. “How the Era was Lost” (“Como a Era foi perdida”); v.tb.: “Dear Holy Father… He is Coming!” (“Querido Santo Padre… Ele está vindo!”).

[4] cf. “The Popes, and the Dawning Era” (“Os Papas e a Era que Amanhece”).

[5] Lactantius, Fathers of the Church: The Divine Institutes, Book VII, Chapter 14,Catholic Encyclopedia (Lactâncio, Padres da Igreja: “As Instituições Divinas”, Livro VII, Cap. 14. Enciclopédia Católica).

[6] Letter of Barnabas, The Fathers of the Church, Chapter 15 (Epístola de Barnabé, Padres da Igreja. Cap. 15).

[7] cf. Millenarianism—What it is, and is Not (“Milenarismo: o que é e o que não é”).

[8] cf. Mateus 24,14.

[9] Santo Ireneu de Lião, Padre da Igreja (nascido em 140, falecido em 202 d.C.);Adversus Haereses, Irenaeus of Lyons, V.3.3.4, The Fathers of the Church, publ. CIMA Publishing Co. (“Contra as Heresias”, v. 3,3,4).

[10] The End of the Present World and the Mysteries of the Future Life (“O Fim do Presente Mundo e os Mistérios da Vida Futura”), por Fr. Charles Arminjon (1824-1885), pp. 56-57; Sophia.

[11] cf. Removing the Restrainer (“A Remoção da Restrição”).

[12] Papa Bento XVI, Audiência Geral, “Seja no fim dos tempos ou durante uma trágica falta de paz: Vem, Senhor Jesus!”, L’Osservatore Romano, 12/Nov/2008.

[13] cf. Dream of the Lawless One (“Sonho com o Audacioso”).

[14] Papa Francisco, Laudato si’, nº 123.

[15] cf. Laudato si’,, nº 142.

[16] cf. “Mystery Babylon” (“O mistério da Babilônia”).

[17] Papa São Pio X, Encíclica “E Supremi”, sobre a restauração de todas as coisas em Cristo, nº 3,5, 04/Out/1903.

[18] cf. Catholic Herald, 06/Jun/2015.

[19] Dr. Ralph Martin, Consultor do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização,What in the World is Going On? (“O que está acontecendo no mundo?”), documentário de TV, CTV Edmonton, 1997.

[20] Papa Francisco, durante uma homilia transmitida pela Rádio Vaticana em 18/Nov/2013.

[21] Papa Paulo VI, Discurso por ocasião do 60º Aniversário das Aparições de Fátima, 13/Out/1977.

[22] cf. Apocalipse 13,7.

[23] cf. Control! Control! (“Controle! Controle!).

[24] cf. 2014 and the Rising Beast (“2014 e a Besta que sobe”).

[25] Papa Francisco, Homilia de 18/Nov/2013.

[26] cf. Laudato si’,, nº 53.

[27] cf. Laudato si’,, nº 105.

[28] Laudato si’,, nº 104.

[29] cf. “Reflexão para depois da leitura do Ofício para a Hora Terceira”, Cidade do Vaticano, 11/Out/2010.

[30] Cardeal Ratzinger (posteriormente Papa Bento XVI), Palermo, 15/Mar/2000.

[31] Em inglês, The Coming Refuges and Solitudes.

[32] Rod Dreher em Time Magazine: “Orthodox Christians Must Now Learn To Live as Exiles in Our Own Country” (“Os cristãos ortodoxos devem agora aprender a viver como exilados em seu próprio país”), 26/Jun/2015.

[33] cf. S.S. Bento XVI a todos os bispos do mundo, em 12/Mar/2009; em Catholic Online.

[34] cf. The Eye of the Storm (“O Olho da Tempestade”).

The Hour of Lawlessness The Now Word


Uma campanha em três idiomas – entrevista com Carlos Caso-Rosendi

guadalupeShane Kapler

Uma vez que alguém conhece Carlos Caso-Rosendi é impossível esquecer-se dele. Carlos nutre paixão por levar o Evangelho ao mundo; mas isso não é tudo: ele o vem fazendo em três idiomas diferentes! Convertido ao Catolicismo (crescera em um lar de testemunhas de Jeová), fundou na Internet o Apostolado “Primera Luz”, difundindo em espanhol – e já adianto que logo o fará ainda em inglês e português – uma apresentação atraente, intelectualmente provocante e culturalmente envolvente da fé católica. Tem sido convidado para participar de diversos programas do canal EWTN, entre eles: “The Journey Home” (trad.“O Retorno ao Lar”) e “Nuestra Fe em Vivo com Pepe Alonso” (trad. “Nossa Fé ao Vivo com Pepe Alonso”). E se isto já não bastasse, escreveu um livro sobre a Virgem Maria!

Shane Kapler: Carlos, como você é um convertido ao Catolicismo, sei que nossos leitores gostarão de saber um pouco mais sobre a sua vida antes da conversão.

Carlos Caso-Rosendi: Nasci ao sul da Argentina, na região conhecida como Patagônia. No início da década de 1950, essa parte era quase que a fronteira do mundo. Tínhamos eletricidade, mas não muito mais do que isso. Não havia televisão, apenas uma ou duas estações de rádio locais. A região foi colonizada por criadores de ovelhas galeses e ingleses. Era um lugar difícil para se viver, frio e ventoso. Mas se o clima é frio, os habitantes normalmente são quentes e amáveis, com uma modéstia natural que os faz assemelhar um pouco com os camponeses britânicos.

Desde a tenra idade tive acesso a bons livros. Minha mãe – Deus a abençoe! – costumava comprar coleções inteiras de livros oferecidos pelos vendedores itinerantes das editoras de Buenos Aires. Desses anos, recordo-me especialmente de uma pequena Bíblia protestante, com que ela me presenteou e ainda guardo, e de um livro que alguém lhe havia deixado nessa época; o livro intitulava-se “Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado” e tinha uma capa rosa mostrando Adão e Eva com uma multidão de pessoas sorridentes caminhando para um futuro esplendoroso. Essa é a minha recordação mais antiga que possuo sobre a influência dos testemunhas de Jeová em nossa família. Esse mesmo livro possuía algumas ilustrações que então me causavam medo, pois mostravam pessoas caindo no abismo.

Minha avó paterna era de origem britânica. Foi professora do povoado por quase toda a sua vida; uma senhora muito doce e católica bastante devota, como apenas os católicos ingleses podem sê-lo. A casa da minha avó tinha um crucifixo em cada quarto; na minha casa não havia crucifixos e me lembro de ter perguntado por que não tínhamos um. Na minha imaginação infantil pensava que o nome desse homem crucificado era “INRI”. Quase meio século depois aprendi que “INRI” são as iniciais de “Iesu Nazarenus Rex Iudaeorum” em latim, enquanto que em hebraico a frase é “Yeshua Ha’nazarim Wimelec Ha’judaim”; essas são as iniciais do nome de Deus em hebraico, “YHWH”. Com efeito, no fim das contas, o nome do homem crucificado era “INRI” mesmo, porém me custou um tempão para saber disso.

Kapler: Em seu artigo “Para trazer beleza ao mundo” você nos contava como a arte religiosa fez parte da sua conversão. Poderia explicar isso aos nossos leitores?

Caso-Rosendi: Sim. Posteriormente, quando a família se mudou para Buenos Aires, minha mãe obteve uma cópia em espanhol da Enciclopédia Britânica. Juntamente com ela veio uma Bíblia Católica. Era a versão de Straubinger – que eu considero uma das mais belas traduções da Bíblia para a língua castelhana. As notas de rodapé são um tesouro de sabedoria. Monsenhor Straubinger deve ter sido uma alma bastante sábia e santa. Aquela Bíblia continha belas ilustrações de todos os artistas cristãos da Itália, Espanha, Alemanha, Países Baixos e outros lugares da Europa. Como sempre tinha gostado de desenhar e pintar, aquelas belas e dramáticas descrições de cenas bíblicas chamaram a minha atenção. Nessa época, minha família já tinha ingressado no culto das testemunhas de Jeová. Ali, no Salão do Reino, nos ensinavam que a Igreja havia apostatado por volta do ano 100 d.C. e acrescentavam que somente há pouco, em 1874, Deus havia comissionado Charles Taze Russel (um comerciante maçon de Pittsburg, na Pennsilvania) a publicar as revistas “A Atalaia” e “A Aurora do Milênio”. Também ensinavam ali que tudo o que ocorrera entre o ano 100 d.C. e o aparecimento de Russell era simplesmente obra do Maligno. O meu único problema com tudo isso eram as lastimáveis ilustrações de suas publicações (a única coisa que continua distinguindo essas revistas): quando eu as comparava com a beleza das obras de El Greco, Tiziano, Murillo e Velázquez, não conseguia explicar como Deus podia produzir isso em “A Atalaia” e o diabo, ao contrário, conseguia presentear a Igreja Católica com tão assombrosas obras de artes. Certa vez, tive a oportunidade de ouvir a “Missa Solemnis”, de Beethoven: a graça e a profundidade dos sons me restaram muito atraentes; e até mesmo a Paixão de Cristo pareceu-me tão real aos sentidos! Como alguém poderia pensar que isso era fruto de uma mente desviada e diabólica? Eu só tinha 13 anos quando começou a brotar na minha mente a ideia de que havia algo de muito errado no sistema de ideias dos testemunhas de Jeová.

Muitos anos depois, quanto já tinha 45 anos de idade, me deparei com dois livros: um era “Art and Beauty in the Middle Ages” (trad.“Arte e Beleza na Idade Média”)[1], de Umberto Eco, e o outro “The Discarded Image” (trad.“A Imagem Descartada”), de C. S. Lewis. Havia lido um pouco dos escritos de Jacques Maritain, sobre a beleza e a fé, quando tive uma espécie de revelação, algo que entretanto é difícil de descrever com palavras. A ideia da beleza agregada à da concepção do universo se fundiram com a ordem específica que eu conseguia enxergar nas Escrituras e, assim, as numerosas mensagens visuais da Bíblia – a “imago” de que falam alguns exegetas – se fundiram na minha mente com a Sagrada Liturgia, de modo que pude compreender tudo. Isto surgiu na minha mente como as múltiplas facetas de um diamante. A verdade era a luz e dava vida a todo esse complexo. Soube então que essa verdade e essa luz eram o amor de Deus e que eu deveria ser cristão e católico. Em um só instante pude entender como tudo estava organizado.

Ao mesmo tempo, compreendi que o mero conhecimento é um pobre substituto dessa espécie de verdade; essa verdade que penetra na alma como um dia de sol e fornece calor e energia ao corpo. É difícil de explicar, mas me dei conta de que ninguém pode chegar à intimidade com Deus apenas pelo estudo. A pessoa precisa experimentar a companhia de Deus da mesma maneira com que se experimenta o amor. Não existe uma novela romântica, por mais bem escrita que seja, que torne possível substituir a carícia ou a proximidade da pessoa amada. Entendi assim por que São Tomás de Aquino, após contemplar a Santíssima Trindade em uma visão, afirmou que todos os seus escritos eram como que um monte de mato seco.

Com o passar do tempo e um pouco de ajuda de Nossa Senhora, fui batizado na Catedral do Preciosíssimo Sangue de Cristo, em Londres, na Inglaterra, na Solenidade da Assunção de Maria, no ano de 2001. O local de meu batismo e confirmação não é muito longe do lar ancestral da minha avó paterna. Creio firmemente que foram suas orações que me trouxeram à Igreja. A minha conversão foi afirmada por outro súdito britânico, C. S. Lewis: foi ele quem agiu no meu intelecto. Minha avó agiu na minha alma, através da oração.

Kapler: No que você acredita ser importante para os católicos saber sobre os ensinamentos e as práticas dos testemunhas de Jeová?

Caso-Rosendi: Creio que podemos resumir a doutrina jeovista como a somatória e o aperfeiçoamento de todas as heresias, pois há nela elementos de todos os antigos erros: Arianismo, Donatismo etc.

Porém, algo que os jeovistas entendem corretamente é o princípio da autoridade. Não creem absolutamente na interpretação particular. Só aceitam como crenças aquilo que procede do escritório central no Brooklyn, sempre que vagamente conectada com as Escrituras. Por isso, é melhor não perder tempo falando com eles acerca dos muitos erros da seita; o melhor é mostrar-lhes os pontos centrais das Escrituras que nos garantem a autoridade e a permanência da Igreja.

Uma coisa que frequentemente uso é Mateus 16,13-20: os jeovistas creem que quando Jesus Cristo fala da “rocha” – que eles traduzem como “massa de rocha” – está se referindo a Si mesmo. Mas isso é fácil de refutar. Primeiro empregamos a “imago”: Jesus caminhou uma longa distância até a Cesareia para realizar essa reunião com os seus Doze Apóstolos na reserva romana, em território romano próximo da caverna-templo do deus pagão Pan. Essa caverna tinha alguns portões de ferro suficientemente fortes para que as pessoas não roubassem as oferendas ali deixadas aos deuses pagãos. Ali Jesus confere um novo nome a Simão bar Yonah: “Kefá”, “Pedro”, “a Rocha”. Fazendo uso da linguagem de Isaías 22,19-22, que fala da substituição de Shebna, o vizir ou mordomo da casa real, Jesus nomeia Pedro como o seu Sumo Sacerdote.

Pois bem: sabemos que os romanos estavam ocupando a fortaleza de Davi em Jerusalém e tinham nomeado um falso Sumo Sacerdote para Israel. Esse falso Sumo Sacerdote era Kaifás, o genro do verdadeiro Sumo Sacerdote, Anás. Observe-se que em aramaico “Kefá” e “Kaifás” soam parecidos. O próximo passo é comparar o significado destes nomes: “Kefá” significa “rocha” ou uma “elevação rochosa”; já “Kaifás” significa o contrário: um “afundamento” ou “depressão do terreno”. Jesus enriquece a “imago” indicando sutilmente que um (Kaifás) decrescerá em importância enquanto que o outro (Kefá, Pedro) crescerá e se tornará firme. A ordem do Antigo Testamento atinge o seu fim e agora a Igreja do Novo Testamento deve avançar e crescer.

A menção às “portas do inferno” tampouco é sem sentido. As portas são elementos defensivos. O peso das palavras de Jesus indica que a Igreja “tomará a porta de seus inimigos” (Gênesis 24,60) e se apropriará dos seus tesouros – tais como essas oferendas valiosas da caverna de Pan, próxima dali. Com o passar do tempo, Pedro conquistará até mesmo Roma, a capital dos césares. A púrpura, símbolo do poder do imperador romano, será agora a púrpura dos bispos romanos. A Igreja conquistará para si os troféus de Roma, inclusive sua linguagem, e os tomará para si. Tudo isto e muito mais está claramente contido na nomeação profética de Pedro como mordomo do Reino de Deus para sempre.

A clareza desta imagem é suficiente para obrigar a quem quer que seja a pensar longamente antes de negá-la. Sua plenitude bíblica é inegável. Uma vez que se tenha começado a provar a autoridade da Igreja, o resto segue facilmente: somos a Igreja, a Bíblia é nossa. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça!

Kapler: Poderia descrever o seu Apostolado para os nossos leitores, o “Primera Luz”? Do que se trata?

Caso-Rosendi: “Primera Luz” começou em 10 de outubro de 2004. Nossa missão está em consonância com a terceira parte da encíclica papal “Redemptoris Missio” e, de fato, com todo esse documento em que João Paulo II exorta a toda a Igreja:

“Povos todos: abrí as portas a Cristo! O Seu Evangelho não tira nada à liberdade do homem, ao devido respeito pelas culturas, a tudo quanto de bom possui cada religião. Acolhendo Cristo, abri-vos à Palavra definitiva de Deus, Àquele no qual Deus se deu a conhecer plenamente e nos indicou o caminho para chegar a Ele” (Redemptoris Missio 3).

“Primera Luz” é, basicamente, uma apresentação apologética da visão católica do mundo. É orientado aos mais de 600 milhões de pessoas de fala hispânica. Tentamos ter uma apresentação que nos diferencie daquela forma um tanto pesada que caracteriza outras páginas de cultura católica hispânica. Queremos algo que seja vibrante e atraente. Queremos também que muitos escritores católicos de fala inglesa, portuguesa, italiana, francesa, sejam lidos em espanhol e que sejam ouvidos, que soem fortes.

Atualmente, um entre cada quatro latino-americanos que foram batizados na fé católica se identificam como agnósticos ao atingirem os 20 anos de idade. Estamos sangrando almas a uma velocidade que é, ao mesmo tempo, escandalosa e triste de se ver. Estão construindo mesquitas no feudo de Nossa Senhora de Guadalupe. Todo o continente, incluindo uma boa parte dos que vão à Missa aos domingos, é composto por marxistas-“light”, que acreditam na maioria das lendas negras criadas para difamar a Igreja. Sacerdotes da teologia da libertação estão conduzindo cerca de um milhão de “estudos bíblicos” por todo o continente que outrora foi o manto de Maria, a glória do Cruzeiro do Sul. O que está ocorrendo faz com que ferva o sangue de qualquer católico que tenha um mínimo de amor pela fé.

Pior ainda: o rei da Espanha firmou recentemente uma lei despenalizando o aborto enquanto todo o corpo episcopal espanhol se mantinha em silêncio. É um crime que invoca o castigo do céu. Eu não sei o que os outros irão fazer, mas Deus me deu alguma habilidade para comunicar; espero ter alguns anos de boa saúde pela frente e utilizá-los bem. Quero as minhas mãos e a minha consciência limpas do sangue de qualquer homem e estou determinado a lutar esta batalha que Deus exige que lutemos. Sem limites e sem condições.

Podem parecer sem sentido estas palavras, mas esta é a missão do “Primera Luz”: levar a primeira luz da Criação, o amor de Deus, a todos os que leem em espanhol, inglês e português. Os “sites” em português e espanhol estão se formando agora. Com o auxílio de Deus, logo os teremos prontos.

Kapler: Como foi que você chegou a trabalhar com a “Coming Home Network” de Marcus Grodi?

Caso-Rosendi: Eu entrara em contato com o autor católico Bruce Sullivan por e-mail porque estava à procura de um bom livro que analisasse o Sacramento do Batismo. Nos tornamos amigos e ele contatou a CHN. Uma curiosa coincidência ocorreu quando recebi um convite para participar do programa. O convite chegou no dia da Natividade da Virgem. Por “casualidade”, minha primeira entrevista na TV ocorreu em 12 de dezembro de 2005, na festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do “Primera Luz”. Depois fui convidado para o programa “Nuestra Fe em Vivo com Pepe Alonso”, na EWTN, no dia 13 de fevereiro seguinte, que é “outro dia” da Virgem de Fátima. Essas três coincidências consecutivas foram como que um sinal de Nossa Senhora, de que eu tinha um trabalho atribuído por ela e que talvez esse trabalho fosse se desenvolver nos meios de comunicação.

Kapler: Fiquei impressionada com o seu livro “Arca da Graça: a Virgem Maria nas Sagradas Escrituras”, que é bem completo. Como surgiu a ideia de escrevê-lo?

Caso-Rosendi: “Arca da Graça” é o meu primeiro projeto em três línguas. Rebecca Smith foi a corretora da primeira versão em inglês. Depois eu o traduzi para o espanhol, que recebeu a revisão do Rev. Pe. Horacio Bojorge, sj. Meu querido amigo Carlos Martins Nabeto, advogado canonista de São Paulo, Brasil – um excelente tradutor – traduziu a versão portuguesa. Devo admitir que a versão portuguesa é, a meu juízo, melhor que a original; soa como música para os meus ouvidos.

Eu queria honrar Nossa Senhora e agradecer-lhe pela minha conversão e sua constante proteção. Parece-me incrível que outrora, no passado, eu considerava Maria como um obstáculo para a minha conversão. Hoje ela é minha companhia diária na oração e nela foco todo o meu trabalho. Quero ser seu filho porque finalmente compreendi que ser filho de Maria é a maneira mais doce de ser como Cristo, seu filho.

É triste ver como muitos católicos não sabem como defender sua Mãe dos ataques dos “evangélicos” e sectários ignorantes. É uma situação penosa, de modo que creio que já era tempo de alguém fazer algo a respeito. O livro é simples e breve. As passagens da Bíblia estão incluídas no texto. O livro pode ser publicado a baixo custo. Não consegui reunir dinheiro suficiente para publicá-lo simultaneamente nos três idiomas, mas pude publicá-lo no sistema eletrônico Kindle, da Amazon. Espero que Nossa Senhora inspire alguém que possa financiar a publicação destes três primeiros livros.

Kapler: Onde podemos obter uma cópia?

Caso-Rosendi: Cada capítulo pode ser lido gratuitamente em espanhol e inglês na Seção Apologética de “Primera Luz” e “Delumen”, respectivamente, junto com outros artigos que ensinam a defender a fé. Devo apontar especialmente que todos os artigos publicados em nossa seção de apologética possuem o “Nihil Obstat” e o “Imprimatur” de um bispo da Igreja Católica. Os dados estão disponíveis para qualquer pessoa que queira conferir.

Como disse anteriormente, espero que um patrocinador nos permita produzir estes três livros em edição impressa nas três linguagens ao mesmo tempo. Posso garantir que as versões em português e espanhol venderão muito bem. A versão Kindle está disponível em espanhol, inglês e português na Amazon.com.

Kapler: Quais são os seus projetos atuais?

Caso-Rosendi: Através do “Primera Luz” quero apresentar páginas web, livros, audiovisuais e dar continuidade à nossa presença na Internet. Quero que chegue a ser um esforço autofinanciado porque já há muitas organizações católicas que solicitam donativos para operar e operam no vermelho. Queremos trabalhar sem ter que gastar muito tempo e esforço pedindo donativos. Queremos ser diferentes também nesse sentido. O exemplo nos é dado por São Paulo, que fabricava tendas para sustentar o seu trabalho evangélico. Para me sustentar agora, colaboro como assessor técnico de vários sites católicos, ainda que – devo dizer – não seja suficiente para sustentar este esforço. Finalmente, gostaria de pedir aos nossos irmãos católicos dos países assim chamados “do primeiro mundo” e outros países onde há uma riqueza maior, que por gentileza visitem a nossa Página e subscrevam uma doação mensal segundo a sua capacidade econômica. O que posso pedir a todos é que rezem uma Ave Maria todos os dias por nossos irmãos e irmãos de fala hispânica, principalmente os do hemisfério sul. Desde os dias de São Francisco Solano e Santa Rosa de Lima, o nosso continente tem sido um baluarte da Vera Cruz. Oremos para que o estandarte de Cristo possa novamente ondular triunfante sob o Cruzeiro do Sul.

Tradução: Carlos Martins Nabeto

Notas:

[1] “Arte e Beleza na Idade Média”, publ. “Sviluppo dell’estetica medievale”, in Momenti e problemi di storia dell’estetica; 1959.

Peço respeitosamente a Sua Santidade

prisonerEu me pergunto: quem lê este Blog? Nem tantos leitores quanto, por exemplo, os do The Huffington Post ou os do Rorate Caeli; porém, meus poucos leitores são de peso e alguns deles me seguem desde os dias em que publiquei a história da minha conversão naquele primeiro site na Internet, por volta de 2004. Talvez entre os meus leitores haja alguém – um sacerdote, um Bispo, ou, quem sabe, um leigo – que possa fazer chegar estas palavras a Sua Santidade Francisco, nosso Papa em Roma. Talvez o fato de ter nascido no mesmo país que o Papa me ajude um pouco. Eu sei que nosso Papa Francisco recebe diariamente milhares de cartas e, por isso, imaginei que seria mais eficaz usar a Internet para conseguir alcançar os seus ouvidos.

Perdoe então Sua Santidade a informalidade deste pedido. Não sou muito bom com formalismos, mas este pedido sério que apresento aqui requer a atenção do Papa. Creio ter lido em algum lugar que certos doentes foram curados quando a sombra de Pedro, nosso primeiro Papa, os tocava. Através da História, pelo poder de Deus, muitos Pontífices realizaram ou foram objeto de belos milagres, como daquela vez que o Anjo livrou São Pedro da prisão, conforme relatado pela Bíblia em Atos 12,1-19.

Atrevo-me a pedir a Sua Santidade por um dos seus sacerdotes – o Pe. Gordon MacRae – que tem passado a maior parte das últimas duas décadas na prisão. O Pe. MacRae foi julgado e condenado naquilo que só pode ser descrito como farsa judicial. Porém, mais vergonhoso que a imperfeita justiça humana que ele recebeu é o quase silêncio perfeito que a Igreja tem mantido enquanto o Pe. MacRae sofre a sua cruz.

Não sei se é legalmente possível tirar o Pe. MacRae da sua prisão, mas sei que muitos bons especialistas do mundo jurídico examinaram o processo que o conduziu a essa situação e encontraram sérias falhas processuais. Muitos têm escrito sobre o seu caso em publicações renomadas; outros, como eu, têm levantado suas vozes o máximo que podem, para denunciar essa injustiça. Quero hoje pedir que se rompa esse silêncio da Igreja fundada por Cristo. Pedro esteve ausente na cena da crucificação de Cristo; apenas João e Maria permaneceram próximos da Cruz. Creio que João ouviu a batida do Sagrado Coração naquela noite da Última Ceia, quando repousou seu ouvido sobre o peito do Senhor; ouvi-lo foi suficiente para formar seu jovem intelecto no caminho da perfeita lealdade ao Nosso Rei. Também Maria estava ali, no local da crucificação, cuja perfeição permitiu-lhe, pela graça de Deus, ter esse mesmo Coração batendo dentro do seu precioso seio virginal. Nossa Bendita Mãe foi também pefeitamente leal a Ele, porém, foi um pouco mais longe – como Mãe que era – substituindo a inveja do coração de Eva por outro desejo sagrado e sem pecado: desejou ela para si mesma, de maneira total e perfeita, os horrores e a dor da Cruz. Ao fazer isso, completou sua missão nesse dia. Quem já viu uma mãe socorrer amorosamente um filho doente pode compreender a agonia de Maria no Calvário. Nosso Senhor o confirmou com Suas palavras a João: “Filho: eis aí a tua Mãe”; e, depois, a Maria: “Mãe: eis o teu filho”. Maria e João são, desde então, modelos para os fiéis de todos os tempos. Pedro, nosso primeiro Papa, infelizmente, esteve ausente.

É claro que tudo isso são coisas que Sua Santidade já sabe. Meu humilde pedido hoje é que Sua Santidade acrescente ao carisma de Pedro esse amoroso traço de lealdade que nosso primeiro Papa – talvez por desígnio divino – falhou em exercitar naquela noite.

Querido Santo Padre: por favor, escute a batida perfeita do Sagrado Coração, tal como o soldado que ouve o tambor para seguir marchando o passo. Una-se a Nossa Senhora, que deseja para ela mesma as dores da Cruz, e conheça o caso do Pe. Gordon MacRae. Por favor, rompa o vergonhoso silêncio dos nossos Pastores e mostre-lhes o caminho, tal como Cristo fez com todos nós, quando nos ensinou: “‘Quando foi que te vimos doente ou preso, e te visitamos?’ E o Rei, respondendo, lhes dirá: ‘Em verdade vos digo: a medida que o fizestes por cada um destes meus pequeninos, foi por Mim que o fizestes'” (Mateus 25,39).

Santo Padre: perdoe-me, por favor, este meu atrevimento, pois estou longe e nem sequer estou seguro se saberia enviar uma carta na forma como é devida. Mas antes de encerrar este meu humilde pedido em favor do Pe. MacRae, permita a este pecador solicitar também a sua Bênção e recomendar-me às suas santas orações!

No amor de Cristo e de Maria Santíssima,

Seu filho,

Carlos Caso-Rosendi

Uma mensagem na garrafa

miabDurante toda esta semana, tentei não escrever isto, mas por fim tive que admitir que precisava fazê-lo. Cheguei em um ponto que não tenho como contornar. Este vosso humilde servo está detido no verão de Buenos Aires, desempregado, aguardando os ventos mudarem de direção… Mas isto pode demorar muito mais do que um ou dois dias.

Tenho estado assim desde 2008 – algumas vezes melhor, outras pior. Tem sido impossível encontrar um emprego estável e as orações e buscas por trabalho não têm sido suficientes, embora – graças a Deus – eu não possa negar o fato notório de continuar milagrosamente vivo e ativo. Sou muito agradecido a aqueles que me contrataram para diversas tarefas através da Internet, porém NÃO estou tão agradecido assim a aqueles que deliberadamente se aproveitaram da minha situação para não me pagar [as tarefas encomendadas] ou tentaram “me dar canseira” de um jeito ou de outro: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” e outras coisas mais.

Mas agora tenho que passar para o outro ponto. Estou lançando esta garrafa no imenso oceano que é a Internet, na esperança de que alguém leia a mensagem e me ajude a sobreviver nesses próximos meses de naufrágio. Enquanto escrevo isto, estou sendo perseguido sem razão ou motivação em uma briga que nunca pedi para participar. Tenho orado para que eu, de alguma maneira, possa encontrar os meios para empacotar as minhas coisas e partir, mas continuo “preso” aqui e, assim, preciso assumir que essa é a vontade de Deus e então tenho que ter calma. Porém, a verdade é que preciso trabalhar, pois tenho que pagar as minhas mínimas e bastante modestas necessidades, bem como pagar os advogados que me defendem. Como muitos já sabem, a mesma pessoa que me chamou para vir pra cá, hoje está decidida a me expulsar do meu próprio lar. E para alcançar esse objetivo, esse homem – que com certeza sofre de sérios problemas emocionais – contratou bandidos e advogados inescrupulosos.

Em breve, graças a lei nº 26.564, recentemente assinada pela nossa Presidente [Cristina Kirchner], espero ser beneficiário de uma pensão [mensal]; entretanto, faltam alguns meses para que esse benefício comece a ser pago e, até lá, chegarão as contas; e não será fácil quitá-las se eu não tiver um trabalho. É aqui, caro leitor, que você entra: estou pedindo um pequeno donativo (ou, se for possível, um GRANDE donativo) para quitar as custas legais desta semana em que estamos adentrando e, também, para que eu possa sobreviver até maio ou junho próximos. Se alguém tiver um trabalho que eu possa fazer, por favor escreva-me usando o formulário de contato, clicando AQUI; mas se você sabe o meu e-mail, escreva-me diretamente. Ainda não estou gagá, embora esteja bem próximo dos 60 anos. Nada me deixaria mais feliz do que novamente ter algo para fazer. Entretanto, se você quiser fazer uma doação através do Pay Pal, por favor clique AQUI para doar. Nenhuma quantia é pequena demais ou GRANDE demais!

Gostaria de agradecer principalmente a aqueles que doaram pouco ou muito durante este ano tão difícil. 1 dólar, 1 libra ou 1 euro podem fazer muito por aqui. São essas pessoas que realmente me salvaram a vida. Espero um dia poder pagar-lhes com um bom livro ou uma visita virtual a Buenos Aires.

Mais do que qualquer outra coisa, gostaria de agradecer ao Pe. Gordon MacRae, que dedicou um belo artigo em seu importante Blog para anunciar o meu talento de tradutor católico. É uma honra visitar frequentemente o bom Pe. MacRae ainda que só o possa fazer virtualmente. Espero visitá-lo pessoalmente tão logo Deus me conceda a graça. Obrigado, Pe. MacRae, por sua bondade e seu corajoso testemunho de fé nesse encarceramento injusto que sofre.

Mais do que nunca, peço a vocês que se recordem de mim em suas orações e também se recordem dos meus bondosos benfeitores, tal como eu me recordo de todos vocês nas minhas orações.

Que Deus sempre proteja vocês,

Carlos Caso-Rosendi

Família e Civilização

Encontrei um fragmento do livro Family and Civilization, um estudo publicado originalmente em 1947 pelo sociólogo e historiador Carle Zimmerman da renomada Universidade de Harvard: “As crianças são a base fundamental que a sociedade tem para incentivar a existência de famílias. A deterioração da família é também a deterioração da sociedade com sistema biológico de reprodução. Por consequência, essas sociedades em que a família se encontra deteriorada são exatamente as que mais rapidamente se deterioram. A deterioração da família chega a ser a causa fundamental ou o agente catalizador que avança à correspondente deterioração da sociedade. Foi isto o que aconteceu nas antigas Grécia e Roma em seus últimos períodos e é exatamente o que está acontecendo na nossa sociedade ocidental atual. Não há objeção possível nem maneira nenhuma de disfarçar isso”[1]. Os motivos ou sintomas apontados pelo pelo Dr. Zimmerman são: considerável redução da reprodução, considerável aumento dos divórcios e uma “crescente aceitação de formas pervertidas de comportamento sexual”.

Penso nestas coisas à medida que recebo respostas de supostos católicos de imaculada ortodoxia que questionam as minhas felicitações ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, e ao Patriarca Ortodoxo russo, Kirill, por seus exitosos esforços políticos conjuntos para reativar a moral e a família tradicional na Rússia. Não ignoro que o presidente Putin foi chefe da temida KGB nos tempos da União Soviética. Por outro lado, desconheço o grau de conversão de Putin, o homem, aos princípios cristãos. Apenas observo alguns fatos específicos: que hoje, na Rússia, há uma tendência pró-família e pró-vida, que desapareceu nas forças políticas dos Ocidente, este último já totalmente submetido às forças hostis à vida e à família.

O velho provérbio castelhano que diz: “Se na barba do teu vizinho vês piolhos, coloca a tua de molho”, pode vir em nosso auxílio: a União Soviético caiu em colapso ignomioso e tenho certeza de que um homem inteligente e observador como Putin não deixou escapar o fato de que a antiga ordem soviética incentivava diretamente toda forma de promiscuidade sexual, alcoolismo, divórcio, aborto, esterilização e outras práticas desumanas que gradualmente imprimiram à população russa uma tendência acelerada rumo ao desaparecimento. Essa tendência parece estar sendo freada agora com o retorno à família e à tradição cristã incentivadas pelo Estado mediante novas leis que promovem a formação de famílias numerosas e a eliminação de estilos de vida estéreis que agora são legalmente definidos como fatores indesejáveis para a sociedade.

No segundo mistério de Fátima, Nossa Senhora mostrou aos pastorinhos uma visão do Inferno e lhes disse algo que devemos ler agora com muita atenção e meditá-lo em profundidade:

Vós vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-los, Deus deseja estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerdes o que vos digo, muitas almas se salvarão e haverá paz. A guerra terminará; porém, se as pessoas não deixarem de ofender a Deus, uma guerra pior estourará durante o papado de Pio XI: quando virdes a noite iluminada por uma luz desconhecida, sabei que este é o grande sinal que Deus vos dá, de que está prestes a castigar o mundo por seus crimes através da guerra, da fome e das perseguições contra a Igreja e o Santo Padre. Para evitar isto, eu virei para pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão de reparação nos primeiros sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e haverá paz; caso contrário, ela espalhará os seus erros pelo mundo, causando guerras e perseguições à Igreja; os justos serão martirizados e o Santo Padre sofrerá muito; várias nações serão aniquiladas. Mas por fim o meu Imaculado Coração triunfará: o Santo Padre consagrará a Rússia ao meu Imaculado Coração; a Rússia será convertida e um período de paz será outorgado ao mundo.

Este aviso foi dado em 1917. Quem poderia negar hoje que o que Nossa Senhora profetizou não se concretizou em detalhe? A Rússia espalhou o ideário comunista pelo mundo e, em especial, os erros antivida da Revolução de Outubro, que o presidente Putin está tentando corrigir; estes são agora os erros que o Ocidente tenta promover! Vimos com os nossos próprios olhos o que aconteceu na Rússia durante as sete décadas de domínio soviético e agora são os nossos próprios governos que perderam o juízo e querem adotar os mesmos princípios que defenestraram a União Soviética? Ou será que esses princípios, de provada e mortífera efetividade, são agora aplicados ao Ocidente por obscuros grupos de poder com a plena intenção de nos riscar do mapa? Quais motivos temos para dar força de lei às medidas destrutivas que levaram a poderosa União Soviética ao fracasso?

Creio que a resposta nos é dada pelo próprio Cristo quando fustiga aqueles que servem ao demônio em nossas sociedades: “Vós pertenceis ao vosso pai, o Diabo, e quereis realizar os desejos do vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade porque não há verdade nele. Quando mente, fala de si, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8,44). Concluímos assim que a mentira sempre vem antes do assassinato. Aqueles que desejam eliminar nossas sociedade primeiro semeiam ensinamentos venenosos e debilitantes nos pilares das nações; e logo tornam presas fáceis aos bobos que acreditaram nos seus ardis. Parece que algo está ocorrendo na Russia: ali se aprendeu com dor a lição que Nossa Senhora quis nos dar com amor em Fátima.

É hora de fazer comunhão de reparação e escutar a voz de Nossa Mãe em tudo, [aquela voz] que nos diz claramente que façamos tudo o que seu Filho nos indica. Com o favor de Deus, este Papa argentino, que tanto sofrimento viu em sua vida, consagrará a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, de forma exclusiva e em união com todos os bispos do mundo (e peço que seja também em união com os patriarcas russos). Que impressionante mostra de amor seria isso! Que 2014 nos traga, se for da vontade Deus, esta surpreendente bênção que dará o giro ao timão e trará as nações de volta ao rumo há tantos anos perdido.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!


[1] “Family and Civilization” (“Família e Civilização”, obviamente), Carle Zimmerman, p.198, 2008; edição resumida da original de 1947.

Tradução: Carlos Martins Nabeto